3 de dezembro de 2010

O PV vence com a sociedade

Depois de um final de semana em Rio Branco, no Acre, participando de evento do PV, com a senadora Marina Silva, cheguei a Belém e fui folhear os jornais. Para meu espanto, encontrei notas publicadas nas colunas políticas, atacando o Partido Verde paraense, sem dó nem piedade.

As notas diziam que traímos o governador eleito Simão Jatene e como castigo pela nossa ousadia ficaremos sem um cargo no próximo mandato. Diziam também que os nossos companheiros, que estão fazendo um belíssimo trabalho para o meio ambiente de Belém, serão substituídos da Semma pelo prefeito Duciomar Costa. Que no Governo Federal não teremos vez por causa do nosso fracasso eleitoral. Que a OS Pará 2000 está com problemas de déficits.

Tinha chegado do Acre ávido para escrever aqui no Blog, mas diante de tão desproporcional ataque ao nosso Partido Verde, parei um pouco para refletir, ouvi meus companheiros dirigentes e apoiadores, tentando entender as razões de tanta agressão.

Fui me lembrando que os ataques vem de algum tempo. Começaram no dia que o PV lançou candidatura própria a presidente da república. Também quando o PV decidiu se libertar de doze anos de sublegenda. Quando decidiu participar do governo e acompanhar a frente Acelera Pará. Quando decidiu lançar candidatura própria a deputado federal e chapa pura para deputado estadual. Quando decidiu encontrar seu próprio caminho, coisa que não fazia desde a fundação aqui no Estado.

Os ataques, pela grande imprensa e até em comentários aqui no Blog, são violentos e até pessoais. São feitos para desmoralizar os dirigentes dos verdes paraenses que adotaram a postura ética de independência. Dizem: eles não tem propostas, querem apenas emprego; os verdes do Pará gostam mesmo é de DAS; o PV do Pará é governista, apóia quem está no poder.

Passei o dia me perguntando: por que tanta preocupação com um partido que foi derrotado nas últimas eleições? A quem e porque interessa desgastar o Partido Verde e suas lideranças? Qual é o objetivo destes ataques?

O PV do Pará cometeu sim um grande crime (aos olhos daqueles que nos atacam), resolveu, conscientemente, trilhar um caminho autônomo, independente e construir uma nova forma de fazer política com a sociedade e não para a sociedade. Nossos adversários estão muito preocupados, porque sabem que não estamos atrás de emprego para meia dúzia de dirigentes, mas estamos construindo relações duradouras e futuras com as forças vivas da sociedade.

Nestas eleições perdemos ganhando. Diminuímos de dois para um deputado, é verdade, mas os nossos dois candidatos mais votados a estadual tem autonomia, são verdes e querem apenas construir o PV.

O nosso deputado eleito, Gabriel Guerreiro, é ficha limpíssima, tem história política ligada à sustentabilidade amazônica, é um homem da academia, reconhecido como um homem público de boa procedência e que tem currículo, como ele mesmo diz: “não apareço nas colunas sociais, mas nunca freqüentei as colunas policiais.”

Embora obtendo quase 25 mil votos, não elegemos o primeiro deputado federal da Amazônia como era o nosso desejo, mas a campanha foi limpa, sem compra de votos, usamos o tempo de televisão para divulgar nossas propostas e inaugurou muitas relações com a sociedade, o que nos garante um bom futuro político. O resultado para frente é muito bom. Obtivemos quase nove mil votos só em Belém e dois mil votos em Ananindeua, apenas para ficar na Região Metropolitana. Estamos reconquistando antigos eleitores e conquistando novos parceiros.

A nossa candidata a presidência, Marina Silva, obteve 474.841 votos, 13,39% de todos os votos válidos do Pará, já pensou o que é isso? Em Belém, Marina Silva obteve 25% dos votos. Em Ananindeua, onde as duas maiores lideranças locais estavam em empenhado em outras candidaturas, Helder Barbalho coordenava a campanha de Dilma e Manoel Pioneiro a campanha de José Serra, Marina Silva alcançou 26% da votação. Em Castanhal, reduto tucano, Marina Silva conquistou 18% dos votos. Marina Silva foi muito bem votada em Parauapebas, 18%; Marabá, 13%; Santarém, 16%; Bragança, 9%. As urnas indicaram que o PV que venceu é aquele que construiu o caminho da independência e da busca de novas relações, relações com quem pode construir um Pará sustentável.

Teve um PV derrotado sim, o PV fisiológico, aquele dos DAS, dos mandatos a serviço de projetos individuais, do toma lá da cá. São estes que estão preocupados e tentando fazer o PV voltar a ser que era, para que possam negociar novas sinecuras. Todos os dias plantam notas denegrindo a imagem de dirigentes sérios, de um Partido Verde que busca trilhar seu próprio rumo. Claro que também recebem ajudas externas. O plano era derrotar-me e derrotar o Gabriel Guerreiro, pois assim o PV seria controlado por setores que demonstraram nas últimas eleições que não possuem a mínima intenção de fazer política seria.

O governador Simão Jatene não precisa se preocupar. Se desejar relações republicanas, sérias, transparentes e em favor do desenvolvimento sustentável, terá o apoio do PV. Porém, se atender às pessoas do seu grupo político, que estão ligadas ao desmatamento, ao desenvolvimento predatório e à exploração insana dos nossos recursos naturais, não terá o nosso apoio.

O PV não quer cargo no governo Jatene e não lhe fará oposição sistemática, implacável. Nossa atitude não será da velha política do poder pelo poder. Destacaremos e apoiaremos tudo àquilo que sua equipe fizer de melhor pelo Pará, mas não nos furtaremos em apontar os erros que por ventura houverem durante seu mandato. Sei que teremos muita dificuldade nessa tarefa, pois até agora nem nós e nem a sociedade conhecem, por mínima que seja a sua agenda programática, com o qual pretende honrar os compromissos eleitorais assumidos.

O PV tem orgulho dos cargos que até o momento ocupou. No Governo Jatene, embora ainda não estivesse filiado ao PV, assumi como chefe da Casa Civil e dei o melhor da minha inteligência e de honestidade para que Jatene cumprisse com aquilo que prometeu durante a campanha. Organizei a burocracia, negociei com movimentos sociais, com a base parlamentar, com prefeitos, com servidores, com outros secretários sem nunca causar qualquer tipo de constrangimento em quase quatro anos no cargo. As contas da Casa Civil foram todas aprovadas pelo TCE. A equipe que levei e formei no Governo foi tão boa que uma parte acabou ficando no PSDB e hoje ajuda nesta nova empreitada que acabaram de conquistar.

Gabriel Guerreiro, como secretário de ciências, tecnologia e meio ambiente proporcionou ao Pará o melhor programa ambiental e de desenvolvimento sustentável que um Governo já teve. Foi dele a proposta do Macro Zoneamento Ecológico-econômico do estado e a criação das maiores reservas ambientais estaduais do Brasil.

No governo de Ana Júlia o PV foi chamado, entrou da metade para o fim e nos coube administrar a Imprensa Oficial, a Organização Social Pará 2000 e a Liderança de Governo na Assembléia Legislativa.

Na Imprensa Oficial modernizamos o parque gráfico com a compra e maquinários de última geração, inclusive com a compra de uma máquina CTP ecológica que elimina processos químicos danosos ao meio ambiente e a saúde do trabalhador, reformamos todas as máquinas, aumentamos a produção gráfica e, o que é mais importante, implementamos uma gestão democrática criando relação de respeito e transparência com os funcionários, valorizamos os servidores públicos com ganhos reais e além da reforma na estrutura física, implantamos um sistema de tratamento de água eliminando a água poluída que anteriormente era consumida pelo servidor do órgão.

Na Pará 2000 (Estação das Docas e Mangal) dinamizamos os espaços, melhoramos a relação com os locatários, criamos atividades para toda a população incorporando temas ambientais e tentamos de tudo para empatar despesas com receitas, mas aqui envolve um problema de concepção dos projetos, estes projetos não foram feitos para dar lucros, sua manutenção é cara e, por mais esforço e criatividade que se faça, eles sempre precisarão de repasse do Governo do Estado, que a deve aportá-los como investimentos turísticos. A administração da OS Pará 2000 foi aprovada com louvor, pois durante a dura campanha eleitoral não sofreu qualquer critica dos adversários da governadora Ana Júlia e olha que vasculharam tudo, inclusive por lá.

O PV, através do deputado Gabriel Guerreiro, assumiu a liderança do governo na Assembléia Legislativa e garantiu que os projetos de interesses do Estado fossem aprovados, dando a governabilidade que tanto Ana Júlia precisou nos quatro anos de mandato. A capacidade de articulação e coordenação, somado ao conhecimento do regimento interno e o respeito que Gabriel desfruta no Parlamento, foram decisivos para o bom desempenho que criou as condições para fazer o Estado avançar ainda mais.

Estamos construindo um projeto político, uma nova forma de fazer política aqui no Pará. Fazer política com a sociedade e não para sociedade, seguindo o que disse Marina Silva, em recente encontro no Acre: “na nova visão da política, nós precisamos pensar que a terceira via é inovadora e tem uma outra significação na visão da política e na forma de fazer a política; no que concerne a visão da política, eu diria que uma das coisas que foi um aprendizagem é essa idéia de não fazer a política para a sociedade, mas fazer política com a sociedade”

O Partido Verde quer fazer aliança com os quase meio milhão de votos de eleitores paraenses dados a Marina Silva, do Partido Verde. Mudaremos o que deve ser mudado, adotaremos a posição necessária para atender o desejo destas pessoas que acreditaram na terceira via nacional. Conquistaremos a confiança e faremos política com essa parcela da sociedade que quer o desenvolvimento com sustentabilidade.

PRESIDENTE DA EXECUTIVA ESTADUAL

ZÉ CARLOS LIMA

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